quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Num dia de chuva e vento

Se o vento tivesse soprado mais fraco, o guarda-chuva não teria voado em direcção a ele; Ela não teria corrido atrás dele e não tera pedido "desculpa"; Ele não teria rido e proposto que ela o acompanhasse no seu guarda-chuva, porque o dela não se teria estragado.
Não teriam parado num café, para esperar que a chuva parasse ou acalmasse; os óculos dele não teriam embaciado; Ela não teria inventado conversa da treta para justificar o embaraço; Ele não lhe teria perguntado o nome; Ela não saberia o dele. Os números não teriam sido trocados.
Nenhum dos dois telefonaria ao outro e tudo estaria na mesma.
Tivesse o vento soprado mais fraco e ele sairia de casa no exacto momento em que ela saia da loja onde trabalhava...E talvez, talvez, Ele e Ela ter-se-iam encontrado no exacto momento em que o vento ficaria forte e um guarda-chuva os fizesse chocar.
Mas o vento soprou forte e ele ficou em casa e ela colou-se á porta de vidro da loja, os dois á espera que a chuva e a ventania acalmassem.
E o sonho não deu lugar à realidade.

19 Comments:

Anonymous Paula e Rui Lima said...

Olá!

Se gostas de cinema vem visitar-nos em

www.paixoesedesejos.blogspot.com

todos os dias falamos de um filme diferente

Paula e Rui Lima

sexta fev 16, 10:52:00 da manhã 2007  
Anonymous Anónimo said...

Podes rir às gargalhadas, mas acredita que não é loucura, este é um mundo de vaidade, onde tudo é nada, onde tudo se reduz ao pó, onde os sonhos dificilmente se tornam realidade, porque logo após a noite, nasce sempre a madrugada, é como o amor, deixa-nos a alma morta, mas os beijos andam de boca em boca, como o carteiro de porta em porta...

Roger

sexta fev 16, 05:23:00 da tarde 2007  
Blogger António said...

Olá!
Um pequeno, bem estruturado e bonito conto em que as coisas não aconteceram mas podiam ter acontecido.

Obrigado pelo comentário ao meu texto sobre a morte de minha mãe.

Beijinhos

sexta fev 16, 09:36:00 da tarde 2007  
Blogger Ghost said...

Por isso é que eu gosto de andar ao vento e à chuva... ;)

sábado fev 17, 02:50:00 da tarde 2007  
Blogger **Arclight/Chronicles** said...

k bom ler-t amiga!
ainda sobretudo num dia como este
tão negro e chuvoso por estas bandas..
mas deixo-t
novo link:
hillswithlight.blogspot.com

bjos*************
voltarei

sábado fev 17, 05:58:00 da tarde 2007  
Blogger Insolitudewecry said...

Lembro-me de uma expressão: "E o amor aconteceu..."

E fiquei a pensar nisso, o amor, acontece, pode acontecer, não acontece, porque? O amor acho que nunca acontece, nunca aconteceu, nunca pode acontecer, o amor... o amor é. são duas linhas, dois sonhos, duas realidades, toda a gente quer algo, espera algo, as vezes as linhas cruzam-se e o amor é. É porque tinha que ser, é porque tem que ser, é porque é aquilo. Não nasce de um olhar, o olhar já existe, não acontece, apenas ali, naquele segundo o amor é, os olhares cruzam-se e há uma chama que diz "é isto". O amor é uma explosão, é quando o sonho se cruza com a realidade, o sonho de um é a realidade do outro, e vice-versa, e num olhar o sonho cruza os olhos pela realidade, a realidade pelo sonho, e ambos sabem que o sonho e a realidade é um só. Não acontece. É. Finalmente. porque tem que ser. porque sempre esteve escrito, eles é k não sabiam. É como um orgasmo. E de repente tudo é uno, e depois... depois é preciso estarem dois corpos deitados, deleitados, relaxados... O amor não acontece. Não. o amor vai acontecer. Não porque acontece, mas pq já está dentro de toda a gente, já é uma realidade, um sonho, e no momento em que acontece não nasceu ali, apenas se revelou ali... E quando se revela... É como o primeiro raio de Sol que rasga as nuvens, é uma explosão de luz... Se a seguir o céu fica limpo ou as nuvens voltam a cobrir tudo? Isso jé ninguem sabe...

segunda fev 19, 06:46:00 da tarde 2007  
Blogger Insolitudewecry said...

E se não aconteceu porque o vento estava forte...
Há-de acontecer porque um dia ele vai entrar na loja, ou ela vai-se cruzar com ele... "O que foi não volta a ser" sim, mas "what will be, shall be" "que será, será"

segunda fev 19, 06:49:00 da tarde 2007  
Anonymous Anónimo said...

"A vida que tudo arrasta os amores também
uns dão à costa, exaustos, outros vão mais além
navegadores só solitários dois a dois
heróis sem nome e até por isso heróis

(...)

Os amores são facas de dois gumes
têm de um lado a paixão, do outro os ciúmes
são desencantos que vivem encantados
como velas que ardem por dois lados"

Sergio Godinho - in Aos Amores

""Amor é fogo que arde sem se ver
é ferida que dói e não se sente
é um contentamento descontente
é dor que desatina sem doer"

Que o poeta de todos os poetas
me conceda boa estrela
que a estrela de todos os astros
me premeie na lapela
prémios de honor
prefiro os muitos
oferecidos pelas mãos do amor
coroando o amor e seus heterónimos
nem vão caber nos Jerónimos

Amores anónimos não há
e assim foi pela madrugada
mesmo que seja um "assim fosse"
vou nomear-te namorada
ninguém já soube o que é o amor
se o amor é aquilo que ninguém viu
uma cor que fugiu
de um pano leve
e pairou serena e breve
no ar
(Pousa agora, borboleta
na pena deste poeta:)

É uma cor que dá na vida
o amor
é uma luz que dá na cor
É uma cor que dá na vida
o amor
é uma luz que dá na cor
mas é uma batalha perdida
que se trava com ardor
é uma cor que dá na vida
o amor
dor que desatina sem doer

Se devagar se vai ao longe
devagar te quero perto
mesmo que o que arde nunca cure
vou beijar-te a sol aberto
é já dos livros que o instante
se parece tanto com a eternidade
e que o amor, na verdade
só se cansa de ti
se de ti mesmo te cansas

Mordidas mansas, emoções
suspiros densos, afagares
liberto das definições
o amor define os seus lugares
ilhas desertas até ver
ver o sol, a chuva
o arco do corpo
arco-íris, corpo a corpo
cara a cara, cor a cor
incandescendo o olhar
(Pousa agora, borboleta
na pena deste poeta:)

É uma cor que dá na vida
o amor...

E ao pôr o dedo nas feridas
que supúnhamos curadas
provas de fogo atravessamos
no mar alto festejadas
não se controla o inesperado
nem se diz o indizível do amor
uma cor que fugiu
de um pano leve
e pairou serena e breve
no ar
(Pousa agora, borboleta
na pena deste poeta:)

É uma cor que dá na vida
o amor..."

Sergio Godinho - In Defenição do Amor

"As certezas do meu mais brilhante amor
Vou acender, que amanhã não há luar
E eu colherei do pirilampo um só fulgor
Que me perdoe o bom bichinho de o roubar

Assobiando as melodias mais bonitas
E das cidades descrevendo o que já vi
Homens e fósseis e seus gestos como escritas
Do bem e do mal, a paz a calma e frenesim

Se estou sozinho é num beco que me encontro
Vou porta a porta perguntando a quem me viu
Se ali morei, se eu era o mesmo e em que ponto
O meu desejo fez as malas e fugiu

Assobiando a melodia mais bonita
A da certeza do meu mais brilhante amor
Da sensação de entre as demais a favorita
Que é ver a rosa com o tempo a ganhar cor

Assobiando as melodias mais brilhantes
Como o brilhante da certeza de um amor
Como o rubi mais precioso entre os restantes
Que é o da meiguice alternando com ardor

Não negarei ficar assim nesta beleza
Assobiando as melodias mais fugazes
Não é possível nem é simples, concerteza"

Sérgio Godinho - in As certezas do meu mais brilhante amor

muito mais se poderia dizer sobre o amor, Insolitudewecry
mas a realidade de uns é a fantasia de outros...

quarta fev 21, 02:54:00 da tarde 2007  
Anonymous Anónimo said...

O amor é o amor - e depois?!
Vamos ficar os dois
a imaginar, a imaginar?..

O meu peito contra o teu peito,
cortando o mar, cortando o ar.
Num leito
há todo o espaço para amar!

Na nossa carne estamos
sem destino, sem medo, sem pudor,
e trocamos - somos um? somos dois? -
espírito e calor!
O amor é o amor - e depois?!

Alexandre O´Neill

quarta fev 21, 02:59:00 da tarde 2007  
Blogger Insolitudewecry said...

Amor...
Quem sabe o que raio é isso? Numa toada mais brutal e crua eu diria a letra do Cara De Anjo mau do grande Jorge palma

"Que posso eu fazer ao ver-te acenas a ferida universal?
Que posso eu sentir ao ver tão delicioso mal?
Que posso eu parecer se me sinto fora de mim?
Que posso eu tentar senão ir até ao fim?"

Enfim... amor... amor... Eu já nem sei o que é isso, aliás, nunca soube, mas tambem, é verdade... Quando achava que sabia era feliz :) E não há maior verdade que essa, ninguem sabe, mas quando pensamos k sim... está tudo bem

quarta fev 21, 10:29:00 da tarde 2007  
Anonymous Anónimo said...

O amor, quando se revela...

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...


Fernando Pessoa

quinta fev 22, 04:19:00 da tarde 2007  
Anonymous Anónimo said...

Ode

Eu nunca fui dos que a um sexo o outro
No amor ou na amizade preferiram.
Por igual a beleza apeteço
Seja onde for, beleza.

Pousa a ave, olhando apenas a quem pousa
Pondo querer pousar antes do ramo;
Corre o rio onde encontra o seu retiro
E não onde é preciso.

Assim das diferenças me separo
E onde amo, porque o amo ou não amo,
Nem a inocência inata quando se ama
Julgo postergada nisto.

Não no objecto, no modo está o amor
Logo que a ame, a qualquer cousa amo.
meu amor nela não reside, mas
Em meu amor.

Os deuses que nos deram este rumo
Também deram a flor pra que a colhêssemos
com melhor amor talvez colhamos
O que pra usar buscamos.


Fernando Pessoa

quinta fev 22, 04:20:00 da tarde 2007  
Anonymous Anónimo said...

Dá a surpresa de ser

Dá a surpresa de ser.
É alta, de um louro escuro,
faz bem só pensar em ver
seu corpo meio maduro.

Seus seios altos parecem
(se ela estivesse deitada)
dois montinhos que amanhecem
sem ter que haver madrugada.

E a mão do seu braço branco
assenta em palmo espalhado
sobre a saliência do flanco
do seu relevo tapado.

Apetece como um barco.
Tem qualquer coisa de gnomo.
Meu Deus, qusndo é que eu embarco?
Ó fome, quando é que eu como?


Fernando Pessoa

quinta fev 22, 04:22:00 da tarde 2007  
Anonymous aidacampos said...

Gostei das tuas crónicas...

Convido-te a visitar os meus blogs.

Filantropia.blogs.sapo.pt

Até breve,

Aida

quinta fev 22, 08:04:00 da tarde 2007  
Blogger Insolitudewecry said...

Conselhos às mal-casadas (parte III)

Minhas queridas discípulas, desejo-lhes, com um fiel cumprimento dos meus conselhos, inúmeras e desdobradas volúpias com o, não nos actos do, animal macho a que a Igreja ou o Estado as tiver atado pelo ventre e pelo apelido. É fincando os pés no solo que ave desprende o voo. Que imagem, minhas filhas, vos seja a perpétua lembrança do único mandamento espiritual. Ser uma cocotte, cheia de todos os modos de vícios, sem trair o marido, nem sequer com um olhar – a volúpia disto, se souberdes consegui-lo. Ser cocotte para dentro, trair o marido para dentro, está-lo traindo nos abraços que lhe dais, não ser para ele o sentido do beijo que lhe dais – oh mulheres superiores, ó minhas misteriosas cerebrais – a volúpia é isso. Porque não aconselho isto aos homens também? Porque o homem é outra espécie de ente. Se é inferior, recomendo-lhe que use quantas mulheres puder: faça isso e sirva-se do meu desprezo quando … E o homem superior não tem necessidade de nenhuma mulher. Não precisa de posse sexual para a sua volúpia. Ora a mulher, mesmo superior, não aceita isto: a mulher é essencialmente sexual.

Pag 302, Livro do Desassossego, Bernardo Soares, Semi-Heterónimo de Fernando Pessoa

Mesmo tendo (oficialmente) morrido virgem, há homens que sabem mais pensando que outros vivendo.
Eu não acredito no Amor. Não racionalmente. Mas o Amor faz-me sentir vivo. Por outro lado tb te digo, quem muito fala do Amor... desconfio. O romantismo, e todas aquelas ideias que se escrevem e se cantam só tem lugar na vida em si. O Amor não se escreve, a não ser com dor de corno ou sofrendo por amor (eu devo ser a unica pessoa que gosta de sofrer por amor lol) por isso caro anónimo... caga nesses poemas. gajas há muitas, sofrer tb tem a sua pinta, mas ao fim e ao cabo... O amor é algo que tu tens dentro de ti, quem é k o recebe isso é irrelevante. Claro que há sempre a tal e nós gostamos muito de sofrer pela tal, e pensar que ela é um anjo e caiu do céu só para nós e tal... mas o diabo tb caiu do céu para nós... E segue o meu conselho, faz o que eu digo, não faças o k eu faço lol
"Love... love will tear us apart" Ian Curtis ;)

quinta fev 22, 10:18:00 da tarde 2007  
Anonymous Anónimo said...

"(...)O homem deve ser educado para a guerra, a mulher para o repouso do guerreiro: fora disto tudo é loucura. O guerreiro não gosta dos frutos adocicados. É por isso que ele ama a mulher; há amargura mesmo na mais doce das mulheres. A mulher melhor do que o homem compreende as crianças, mas o homem é criança, mais do que a mulher. Todo o homem digno desse nome oculta em si uma criança que quer brincar. Assim, mulheres, cuidai de descobrir a criança escondida no homem. Que a mulher seja um brinquedo, puro e delicado semelhante ao diamante, brilhando com as virtudes de um mundo que não existe ainda. Fazei entrar no vosso amor o reflexo de uma estrela longínqua. Que a vossa esperança seja: “Possa eu dar à luz o super-homem!” Que vosso amor seja corajoso! Fortalecidas pelo vosso amor, atacai aquele que vos inspira medo. Ponde a vossa honra no vosso amor. A mulher, aliás, pouco sabe da honra. Mas a vossa honra está em amar mais do que sois amadas e em nunca ficardes em dívida. Que o homem tema a mulher que ama, pois ela não recuará perante sacrifício algum, e tudo o resto lhe parecerá sem valor. Que o homem tema a mulher que odeia, pois o homem, no fundo do seu coração, é maldoso, mas a mulher é malévola. (Qual é o homem que a mulher acima de tudo odeia? O punhal diz ao amante: “É a ti que, acima de tudo, odeio, pois me atrais mas não és suficientemente forte para me guardares junto de ti.”

A felicidade do homem é dizer: “Eu quero”. A felicidade da mulher é poder dizer: “Ele quer”; assim pensa a mulher, quando por amor obedece. E a mulher tem necessidade de obedecer e de dar profundidade à sua superfície. A alma da mulher é superficial, como as águas de um lago sob a tempestade. Mas a alma do homem é profunda, a sua corrente ruge através de grutas subterrâneas: a mulher pressente essa força, mas não a compreende.(...)" (Assim Falava Zaratustra: "Das Mulherzinhas Jovens e Velhas", pp. 69 e 70).

terça fev 27, 02:16:00 da tarde 2007  
Blogger Nandita said...

A nossa vida é uma soma de tantos acasos... quem nos garante que o vento a soprar tão forte não a vai fazer bater à porta dele, pedir uma ajuda de homem para fechar o toldo da loja... e trocarão um olhar, e ver-se-ão reflectidos.
A vida é maravilhosa, por isso mesmo...
Beijo

quarta fev 28, 12:00:00 da tarde 2007  
Blogger Klatuu o embuçado said...

Um «se» é pior que um furúnculo no cu! ;) Pior só o «talvez»...

Dark kiss.

sexta mar 02, 04:33:00 da manhã 2007  
Anonymous Anónimo said...

(...)

Creio no mundo como num malmequer,

Porque o vejo. Mas não penso nele

Porque pensar é não compreender...

O Mundo não se fez para pensarmos nele

(Pensar é estar doente dos olhos)

Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...

Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,

Mas porque a amo, e amo-a por isso,

Porque quem ama nunca sabe o que ama

Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,

E a única inocência não pensar...

(...)

Há metafísica bastante em não pensar em nada.

O que penso eu do mundo?

Sei lá o que penso do mundo!

Se eu adoecesse pensaria nisso.

(...)

excertos de Guardador de Rebanhos de Alberto Caeiro

sexta mar 02, 02:12:00 da tarde 2007  

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